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Vivendo e Escrevendo


O PROGRESSO NÃO SE RESUME EM EMANCIPAR por Paulo de Tarso Jr.

                Emancipação é um tema bastante interessante e que vem sendo muito discutido nas Assembléias Legislativas de cada estado. No Maranhão, por exemplo, existe a proposta de se criar mais 101 municípios. Parece uma loucura. E realmente é. Um estado que possui um dos piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, pra não dizer o pior, não se pode “dar ao luxo” de criar 101 novas cidades. Talvez o Maranhão ache que deve seguir o exemplo do Rio Grande do Sul, o líder do ranking dos estados com mais áreas para se emancipar. Ao todo são 124 pedidos de emancipação.

                Mas se o Rio Grande do Sul pode ter mais cidades por que o Maranhão não pode? Não pode porque nossos 217 municípios não podem se sustentar. Não tem renda para nada. Não saíram da condição de um simples povoado, sem qualquer tipo de infra-estrutura. Além disso, é o Rio Grande do Sul que tem 8,1% de participação no PIB nacional. É ele que possibilita uma vida mais digna. Nosso querido estado, só contribui com 0,9% e ainda por cima, mantém seu povo na miséria. Nós, maranhenses, somos uns miseráveis.

Alguns políticos dizem que o progresso maranhense virá se houver a emancipação. Seria necessário mais municípios para progredir como estado. Mais? Por quê? E pra quê? Este pensamento é confuso, pois o nosso vizinho, o Piauí, possui mais cidades do que o Maranhão e está ao nosso lado na parte inferior da tabela de desenvolvimento humano. Então, não é verdade afirmar que emancipar é sinônimo de prosperidade.

Certamente, o fenômeno emancipatório não é para melhorar a vida da população. Talvez seja para enriquecer políticos, ou aumentar os problemas da comunidade no que diz respeito à saneamento básico, segurança, saúde, educação, entre outros assuntos.  

                Para entender o verdadeiro motivo que leva um “povoado” a pedir emancipação é o recebimento de recursos do Governo Federal. Mas a população não sente nem o cheirinho das cédulas de Real.  Para onde vai então o dinheiro? Com absoluta certeza o montante é destinado a obras públicas com o objetivo de melhorar a vida das pessoas do município. Será mesmo? Absolutamente não. Sejamos realistas. Todos nós sabemos, que grande parte dos recursos não chegam às cidades emancipadas. Isso é uma pena. É vergonhoso.

                Mesmo sabendo disso há algum tempo, fiquei surpreso quando soube, durante uma entrevista, que fiz com um ex-prefeito de uma cidade do Maranhão que se emancipou em 1996, quanto um município recebe mais ou menos por mês. E para o meu espanto, uma cidade de “pequeno porte” recebe de R$250 a 500 mil por mês. No caso do município deste ex-prefeito, são R$500 mil mensais. O que você faria com tanto dinheiro? Você nem sabe o que pensar, porque é muito dinheiro, não é?

Tenho certeza que você irá se assustar com esse dado. Imagine na seguinte situação: dos 500 mil que o a cidade recebe, 300 mil é para a Educação. Porém, este setor, só precisa de 200 mil. Você diria então que a educação é fenomenal. Que os salário são pagos regularmente, não é? Mas infelizmente não é assim. Os professores estão há dois meses sem receber salário e a sobra (100 mil) desaparece. Curioso, não?

Situações dessa magnitude nos motivam a perguntar, a indagar e a questionar os motivos que levaram à esta situação. Lembro-me como se fosse hoje, um determinado vereador de Turilândia me dizendo: “não se pode mais chamar de ladrão quem rouba, pois para isso, já se tem até um nome científico: CORRUPÇÃO”. O desvio de verbas é imenso. A falta de vergonha na cara é maior ainda. Mas o que fazer? Apenas rezar a Deus? Não. É preciso ir às ruas e exigir mudanças. É necessário questionar. Tomar as rédeas da situação. Fiscalizar como estão sendo gastos o nosso dinheiro. O destino que ele está tomando. Sabes por quê? Porque o nosso dinheiro não toma “Red Bull” pra ganhar asas, concordas?

                O processo de emancipação não acontece de hoje. Não acontece de ontem e muito menos da semana passada. Acontece há bastante tempo. Há muitas décadas. Mas, na maioria das vezes, acontece da mesma forma. Mas que forma é essa? A forma da imposição, da omissão de detalhes, a falta da liberdade em se expressar. Em outras palavras, a emancipação é a busca por independência financeira, mas não para o povo, mas para os políticos. Para os “santos” parlamentares.

                Em setembro, viajei para alguns municípios que se emanciparam em 96. E é curioso como em uma simples viagem pude observar como a realidade é. Para se ter uma idéia, como uma cidade com cerca de 22 mil habitantes pode ser segura disponibilizando de 5 policiais? Como eu posso falar em viver bem, se às seis horas da tarde ninguém pode atender ao telefone celular com o risco de ser assaltado? Como eu posso ter saúde, se a água que eu consumo não é de boa qualidade e falta no período de seca? Como eu posso VIVER vendo que sou oprimido pelo poder político? Como? É assim a vida em alguns municípios do nosso Estado. Mas apesar de tudo isso, a emancipação faz bem para a população?

Deveria fazer. As promessas eram tão lindas no início. Era uma tal de liberdade para cá, melhorias para lá, e, no fim, uma tal de mesmice. A criação de municípios dá o que falar, pois, na maioria das vezes, esse tipo de ação, atende somente a interesses políticos, enquanto os que realmente necessitam de benefícios, são esquecidos.

Já dizia o antigo poeta: “enquanto houver vida, haverá esperança”. Mas digo, só pode existir esperança, se tivermos perspectivas de dias melhores. É nisso que devemos acreditar. É nisso em que devemos confiar. O progresso de uma cidade não está na emancipação. Está nas formas de administrar o dinheiro público. Nas riquezas do povo castigado pelas injustiças sociais, econômicas e, sobretudo, políticas.

Sonhar é bom, mas agir é melhor ainda. É fundamental fazer acontecer um futuro melhor. É preciso estancar o sangramento que a emancipação vem causando na vida dos maranhenses. E para isso acontecer, só depende das nossas atitudes. Pense nisso!!!



Escrito por Paulo de Tarso Jr. às 00h56
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