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Vivendo e Escrevendo


UMA QUARTA-FEIRA PARA SER ESQUECIDA por Paulo de Tarso Jr.

              Parecia uma quarta-feira normal. Apenas parecia. João voltava para casa com sua mãe e irmã quando um bando de marginais armados rendeu o carro onde ele e sua família estavam. Era o início de um pesadelo que não teria momento certo para terminar. Durante o assalto, os bandidos levaram dinheiro, o carro e a vida de João. Por quê? Por que tinha que ser assim? Ele era apenas um menino de seis anos de idade, mas que foi assassinado de forma bárbara. Como pode um menino ser arrastado durante 15 minutos sem que ninguém de dentro do carro percebesse? É realmente não dá para acreditar que estes malditos assassinos não tenham percebido o sofrimento daquele garoto preso a um mísero cinto de segurança.

              João era uma criança especial, divertida, amável, e, sem dúvida nenhuma, muito feliz. Era impossível dizer que aquele dia 7 de fevereiro de 2007 seria daquele jeito. Marcado pela violência, crueldade, ou ainda, os instintos mais primitivos que um ser humano pode ter em relação à vida de um ser indefeso. Um ato de extrema brutalidade, ou como o presidente Lula disse: “foi um gesto de barbaridade”.                                                                                                                                                                          

              Agora, o que fazer? Como punir esses bárbaros? Cadeia? Prisão perpétua? Ou pena de morte? Nada do que façamos resgatará a felicidade da família do João, mas a nossa sociedade tem que se unir para que a morte deste menino não seja apenas mais uma nas estatísticas da violência no Brasil. Temos que deixar de sermos covardes. Temos que lutar pelo bem-estar de todos. Temos que fazer acontecer hoje, porque amanhã será tarde demais. A nossa tolerância está nos levando a uma hecatombe. Às vezes, queremos acordar e presenciar outra realidade, mas isso não é possível. Devemos nos revoltar sim. Não está certo presenciarmos barbáries envolvendo seres inocentes. Temos que acordar. Não podemos nos silenciar. O silêncio é a fraqueza da humanidade. O silêncio é a aceitação da maldade. Não podemos nos calar.                                                                          

               Em um texto chamado “Por quem os sinos dobram?” do escritor Paulo Coelho, ele afirma que “somos os olhos que viram o carro passar, o medo que nos impediu de telefonar para a polícia. Somos a polícia, que recebeu alguns telefonemas através do número 190, e demorou para reagir, porque o Mal Absoluto parece já não pedir urgência para nada. Somos o asfalto por onde se espalharam os pedaços de corpo e os restos de sonhos do menino preso ao cinto de segurança”. Será este, apenas o seu papel dentro desta sociedade? Você é o único que pode escolher se será apenas mais um a se chocar com o ocorrido e depois continuará “vivendo” a sua vida como se nada tivesse acontecido, ou decidirá ser um combatente contra a violência.                                                                                                                                                          

                Devido a esta barbárie, o tema de redução da maioridade penal voltou à tona, pois um dos envolvidos na morte do garoto João é menor de idade, mas comete crimes como gente grande, mas mesmo assim, ficará somente míseros três anos preso. Assim não pode ser. Talvez a redução da maioridade penal não seja a solução, no entanto, algo deve acontecer para que mortes como a deste menino não se repita mais.                                                                                                                                            

                Por fim, a frase que representa o sentimento da população brasileira tenha sido dita por Rosa Cristina, a mãe de João, se referindo aos assassinos de seu filho como seres que “não têm coração”. O Brasil é um país espetacular, mas tem que saber lidar com estes “sem coração” de maneira energética e eficaz, pois somente assim, o sentimento de impunidade deixará de ecoar na mente da sociedade brasileira. O que se espera do nosso país é JUSTIÇA. Justiça acima de tudo. Pense nisso!!!

               



Escrito por Paulo de Tarso Jr. às 00h57
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